segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Em obras



Se Inception fosse sobre obras de arte, o estúdio era o 59 Rivoli, em Paris.
Quem passa pela porta mais bonita da cidade-luz e não entra - mesmo apesar da sinalização óbvia que esclarece o custo zero - que me perdoe, mas não tem qualquer sensibilidade estética. Ou curiosidade.

A 1 de novembro de 1999, Kalex, Gaspard e Bruno resolveram investir no número 59 da Rue de Rivoli, abandonado pelo Crédit Lyonnais e pelo Estado francês. Convidaram uma dúzia de artistas para reabilitar o edifício - que se encontrava pejado de pombos mortos, seringas e outros dejetos que tais) e ergueram um dos maiores focos de cultura alternativa da cidade.

Agora, seis horas por dia, seis dias por semana, o 59 Rivoli funciona como uma incubadora de ateliers de venda ao público, que se vestem de uma unicidade que obriga a quem lá entra a passar horas nos labirínticos nichos que, por si só, respiram arte como se se tratassem de museus vivos.



















terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

"(in)dependências" ou "os bons jantares são os da J."


Dar jantares é complicado. Aliás, dar bons jantares é complicado. Mesmo que o ambiente seja controlado - entre quatro paredes, vá -, os anexos dependentes requerem tanto cuidado como um recém-nascido com cólicas. E há certas coisas a ter em conta.

Os convidados. Têm alergias alimentares? São só esquisitos? Nunca trazem um bom vinho? São dos que criticam o menu? Sabem conversar ou é melhor treinar assunto antes? São insuportáveis? (neste último caso, talvez seja melhor repensar a questão do convite).

O prato. É demorado? É funcional? É um crowd pleaser? Vai ao forno? (eu sei ligar o forno?) Comida de conforto ou cenas gourmet com nomes estranhos?

A sobremesa. Esqueçam, não é opcional.

A loiça. Não posso mesmo usar loiça de plástico? Vou contratar uma empregada só para o after-party? Vou entrar em negação até que a loiça esteja num estado de sujidade tão decrépito que tenha de a deitar fora?

O entretenimento. Cartas? Karaoke? Trash talk? Se o dia seguinte é laboral, quantas garrafas de vinho posso abrir? Aguentam bem a ressaca? Lidam bem com humilhação pública?

Acho que podia continuar por mais umas quantas horas - afinal, nem cheguei à parte de "quem traz o quê?" -, mas o ponto fulcral da questão é que a J. dá os melhores jantares do mundo inteiro, porque nasceu com uma espécie de checklist inata de #coisasfofinhas. Não é para quem quer, é para quem pode.