terça-feira, 29 de outubro de 2013

Le cliché, ou uma carta de amor a Paris



Sou uma miúda que gosta de clichés. Gosto de comédias românticas, de jantares à luz das velas, de bombons. Gosto de música comercial, de vestidos Valentino, de ténis Converse. E gosto de Paris.

Bolas, gosto mesmo de Paris. Dos cafés, das brasseries, das cadeiras de verga viradas para a rua, como se não quiséssemos fazer nada de produtivo da vida enquanto falamos dos outros e bebemos vinho tinto.
Gosto dos croissants, das baguettes, dos macarons e dos bolos demasiado enfeitados. Gosto da palavra "merde", gosto dos cartazes de cinema nacional espalhados a cada esquina, gosto dos contrabandistas que vendem miniaturas da Torre Eiffel.
Gosto dos passeios lisos, da arquitetura fenomenal, das centenas de revistas de Moda meticulosamente dispostas na Colette. Gosto daquela senhora de vestido Armani e flatforms nos pés, parada a fumar à porta do escritório. Gosto das duas amigas com casacos MaxMara que entram para lanchar numa boulangerie que ainda não é cool.

Gosto do cheiro a comida, da história, das montras. Gosto de morar longe, e poder namorá-la à distância. E se gostar de Paris - e de todos esses clichés - faz de mim uma miúda aborrecida, c'est la vie.