quinta-feira, 27 de junho de 2013

Simetrias


Podia escrever sobre clichés de paraíso, sobre o dourado das ervas secas e do azul (mais para o verde) da água.
Podia escrever isso tudo.
Mas hoje escrevo sobre simetrias. Equilibradas pelo horizonte linear que parece conhecer o segredo do equilíbrio sem o querer partilhar. Divididas no balanço do barco que em vez de se chamar Mourão poderia ser o Pêndulo. Espelhadas em olhos iguais e gritos idênticos, reações semelhantes e gargalhadas partilhadas.
Simetrias entre a paz e o sossego, o descanso e a inércia, o verão e o Alentejo.
Simetrias sobre as margens do Alqueva que foram as quatro paredes em três dias de bocejos, simetrias da água sem vento que se mexia como um lençol de seda, simetrias entre o prazer de estar e a vontade de voltar.
































A Margem Sul é um deserto?


Mário Lino claramente não conhecia o senhor Tony.
Um pequeno império de tudo o que é comida que faz mal às ancas e bem à alma ocupa quase uma rua inteira da Caparica e, no entanto, continua um segredo bem guardado de um sol que os lisboetas só vêm útil para nadar e apanhar um escaldão.
Talvez seja melhor assim.
Talvez seja melhor que os hamburgueres que não chegam a 4 euros mantenham o pão tostado e a carne a saber a carne, o ovo a cavalo e a alface fresca, os sumos naturais feitos de fruta a sério, a apresentação despreocupada que denuncia que a febre gourmet ainda não chegou por aquelas bandas (e ainda bem). Talvez seja melhor que os quatro cantos do mundo não ouçam sobre o molho do bife do Tony's, onde as batatas fritas ficam a nadar, ou que não se percam na comida italiana (aportuguesada, claro está), nem nos fritos bem à moda americana.
Talvez seja melhor que a margem sul continue a parecer um deserto.

  


(a sobremesa comeu-se à parte, mas não era boa o suficiente para merecer menção honrosa)




One woman's trash is another woman's treasure



To flea or not to flea, essa é a questão que nem se deveria colocar.
Feiras, mercados, flea markets, vendas de rua, vendas de garagem, compras de ocasião. Seja uma viagem preparada ou um desdes mercaditos que nos surpreendem num dia de primavera, difícil é não desembolsar meia dúzia de tostões por um tesouro que já fez por alguém aquilo que está prestes a fazer por nós: história.