segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vamos ao circo

Às vezes, é tão simples quanto isto.



Outras vezes, é tão complicado quanto isto.


As metamorfoses do estilo são tantas quanto quem se veste. E pode ser uma parisiense, embrulhada nas asas de corvo; ou uma nova-iorquina, que exibe a cauda de pavão.
Pode ser isso tudo, e ainda existir Moda, ainda existirem desfiles, ainda existirem coleções.
Porque as roupas são feitas para ser vestidas, compradas, usadas, deitadas fora. São feitas para ser exibidas, misturadas, mostradas e, quiçá, fotografadas.

Mas a arte de vestir bem, aquela que se perde cada vez mais no tal circo mediático de que se fala aqui, perde-se no ruído visual, de tantos wannabe's que se atropelam nas escadarias do Lincoln Center - ou do Terreiro do Paço. Mas, mesmo assim, acredito piamente que ainda há quem se vista para se ver, e não para ser visto. Quem brinque com os padrões porque acordou bem disposto ou quem recorra ao negro porque é a sua zona de conforto. Acredito que nem todos se vestem para os flashes, que nem todos optam pela réplica fácil da passerelle, que nem todos são produtos sem expressão de uma sociedade oca que sonha com a fama e almoços grátis.

E enquanto eu acreditar nisso, que venha o circo. Eu continuo a aplaudir os palhaços.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Não vás ao café do Aires

Seguimos o conselho de um alguém muito sábio, e não entramos no café de quem mexe as bebidas de uma forma duvidosa.

Mas hoje não estamos a falar de cafés. Estamos a falar de ateliers. E não é Aires, é Ayres.














A etiqueta pode dizer "Made in England" - lá para os lados da Savile Row -, mas o talento lê-se feito em Portugal. Tal como o gentleman. Desengane-se quando se pensa que a cortesia tem nacionalidade, quando se afirma que a qualidade tem tempo ou o engenho tem década.
Aqui, ainda se usa o giz, os moldes, os alinhavos. Ainda se dá valor ao Mestre - que antes era o avô, o dono da cadeira de madeira, dos suportes das gravatas e da tradição - e agora é o neto. E o amigo, há que não esquecer o amigo que dá tanto em sorrisos como em talento.
Aqui não há espaço para industrialização mas há lugar para inovação, não há tempo para produção em massa mas há gosto pela unicidade, pelo trabalho meticuloso, pelo brio de uma profissão que, nas mãos deles e dos alunos, ganhou uma nova vida.

Os alfaiates não estão mortos. Moram no Porto. 



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Stay, Valentine, stay


Neste momento, senti-me um Alfred Eisenstaedt. Mas em vez, de Times Square tinha os Clérigos, em vez do fim da Segunda Grande Guerra tinha um beijo de despedida, em vez de um marinheiro e uma enfermeira tinha dois sobretudos e muito frio, em vez do preto e branco tinha uma manhã azul.

Porque estes valentines fazem qualquer pessoa sentir-se no topo do mundo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

This is a story of boy meets girl

The boy, the blazer, grew up believing he would never find true love.
The girl, the dress, showed him wrong.

This a story of boy meets girl. But you should know upfront, this is a love story.


É um roubo descarado, pouco original e um tanto ou quanto ofensivo à genialidade de (500) Days of Summer, mas é perfeito para o propósito.


Porque depois do desfile de Richard Chai Love - ao qual eu nem costumo prestar muita atenção - e do look 33 em especial, a história do "boy meets girl" não me sai da cabeça.


Richard Chai Love FW13, look 33

A fluidez de um negligé com a estrutura de um oversized coat é preciosa demais para ficar na passerelle. E se as minhas ladies já puseram em prática o styling imaculado, talvez esteja na altura de fazer o mesmo.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Chegar à Portela










Falávamos hoje ao almoço sobre as chegadas ao Aeroporto de Lisboa. Falávamos - claro e inevitavelmente - de Love Actually, em que o love actually is all around.

Na Portela, no frio de um domingo de outubro, cruzavam-se os braços numa expectativa impaciente. Esperar é difícil - é chato.
Consulta-se o relógio, cruzam-se os braços, até que os carrinhos dobram a esquina. Aquela esquina.
As palpitações cardíacas tornam-se audíveis, o entusiasmo infantil torna-se ensurdecedor.
Contidos, acanhados, os regressos assumem-se como sorrisos cúmplices, palmadinhas nas costas e um "Então...".
As crianças, saltam, pulam, beijam e abraçam. Na sua inocência, na pureza de quem não tem medo de dar uma chapada na cara da saudade à frente de tudo e de todos.

O amor estava lá. Podia não ter cartazes com nomes, música de fundo, hipérboles de comédias românticas. Mas está lá. E, no fim do dia, é sempre tão bom ter alguém à espera.