segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Meia-noite em Paris




É a cidade onde a noite é tão grande como o dia. Há sempre cantos do mundo em que uma é maior que a outra, mas é em Paris que as duas se encontram para disputar a beleza da luz.

A natural e a artificial.
O sol e os néons.

E é também a cidade em que, batalha após batalha, nenhuma sai vencedora. Lutam no ringue, lutam na arena, lutam na lama (desavergonhadas!) mas as ruas não se conseguem decidir em qual se preferem vestir. Se gostam mais da breton ou das lantejoulas, do cabelo despenteado ou do batom vermelho.

O dia vangloriou-se da vitória aqui, mas hoje a noite é a rainha (e não vice-versa). Antes, durante e depois da meia-noite. Por ruas encharcadas e folhas empastadas, por boudoirs e negligés, por torres e quartos de hotel. Pelas sombras que convidam aos affairs, aos romances fugazes, ao sexo pelos cantos. Em Paris, um final feliz não tem de esperar pelo "para sempre".















































quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Vamos falar da Adèle?


A Adèle tem vinte anos, e acaba de dar uma abada das grandes no que toca a interpretações em 2013, naquele que é um dos melhores filmes do ano - e uma das histórias mais cruamente bonitas que eu já vi.

(Sobre isso, podem ler aqui, por quem o sabe dizer melhor que eu).



A Adèle é francesa, é uma força da natureza (olha eu a repetir-me), é muito mais gira do que parece e tem uma pinta do camandro.

A Adèle tem um instagram divinal, um talento descomunal, umas dentolas como as minhas.


A Adèle é das minhas pessoas preferidas, e quem não for ver o filme é um ovo podre.


(estas imagens foram roubadas por essa internet fora e eu esqueci-me de guardar os créditos)


E para quem ainda não está convencido, pode ler este texto fantástico (cof cof), e ver a curta que o The New York Times (que, a propósito, até concorda comigo. Até na cena das dentolas - acho eu) lançou:


video









terça-feira, 26 de novembro de 2013

Coisas de gente grande




Gostava de dizer que o tempo passa por nós e não nos toca.
Mas é mentira, não é? Arrasta-nos e ficamos velhas. Em vez de shots bebemos chá, em vez de restaurantes recebemo-nos, em casa umas das outras, com as mordomias de gente crescida.
"Mostrava-te a casa... mas pronto, é isto". E o isto é um pequeno T2, no presente que algures no tal tempo que passa depressa já foi um futuro distante.
Um pequeno T2 - ou T1, ou T0 - que abre a porta às amigas que ficaram para além da faculdade, que se chateiam infernalmente para não fazerem parte do "sim, um dia temos de combinar um café".

Que gente grande que somos. E que bom quando nos esquecemos disso. Que bom quando passamos horas a elaborar teorias da conspiração - e da treta, não? -, a percorrer todos os vídeos do Youtube que são falados em brasileiro, a rir até faltar o ar.

Que bom, não é? Vamos fazer isto mais vezes. Amanhã, para a semana, sempre.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Paris, mon gourmet



Paris é a Meca da comida.
Peço desculpa se feri susceptibilidades com a minha ignorância culinária e geográfica, mas Paris é um orgasmo de sabores.
Para começar, tudo o que envolva sotaque francófono soa gourmet. Até merde

Mas avant, que se faz tarde.

Os preços podem ser estupidamente elevados mas, na maioria dos casos, fazem-se valer a cada cêntimo. Do chocolate quente da Angelina (em que os oito euros enchem duas chávenas) à sopa de cebola servida em cada esquina, ter pedacinhos de Paris no estômago bate aos pontos uma barriga cheia de Big Macs e Torre Eiffel.

E mesmo que se deambule por territórios italianos, La pizzeria di Rebelatto tem a melhor pizza Margherita que as minhas papilas gustativas já tiveram o prazer de conhecer, a um preço que se tornou rapidamente BFF da carteira.

Mas, talvez mais do que o palato, é a filosofia francesa que traz uma lufada de ar fresco à cozinha. A comida não é combustível, não é aquecedor, não é um pretexto. É um prazer, uma celebração, um culto. Não nos encostamos ao balcão a comer uma fatia de pão com queijo, já com um pé na saída porque a vida está lá fora. Em Paris, vê-se a vida passar das esplanadas das brasseries, com um copo de vinho meio bebido. Adia-se o mundo para depois. Come-se pouco, devagar, com um método que se guia só e apenas pela satisfação do desejo.

A tudo isto, junta-se a presença constante da Nutella (barrada entre um crepe e fatias de banana, à meia-noite no Trocadéro), e temos um felizes para sempre.

Eu e Paris.






(quanto à batalha Pierre Hermé vs. Ladurée, os primeiros ganham em sabor, os segundos em textura. Gosto de empates assim)