terça-feira, 31 de julho de 2012

Há imagens que não precisam de palavras


[obrigada, caroline's mode]

Mas as minhas palavras precisavam desta imagem.
Eu precisava desta imagem. Quase tanto como da eloquência que procuro desesperadamente para não entrar em redundâncias descritivas.
Eu precisava desta imagem porque simboliza o Santo Graal, a ambição de algo maior, a harmonia de um passo certo com uma escolha ainda mais acertada.
Eu precisava desta imagem tanto quanto precisava dos pumps. Do perfecto. Das calças que se situam entre o boyfriend e as mom jeans. Do andar tão confiante que se torna desajeitado. Da imortalidade de um flash que rapta para a eternidade o retrato de uma geração que não precisa de Alta-Costura para ter Moda no sangue.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Home is where your heart is












"Éramos jovens e apaixonados". Pela vida, pela rotina inconsciente, pela rápida passagem dos dias que não tinham fim. Apaixonados por nós e pelo nosso umbigo, por um ego que nos aconchegava à noite, por um mundo de promessas promissoras e futuros distantes. Apaixonados pelo Baleal, pela fonte da nossa juventude, pelos amigos de ocasião e por aqueles que o são em todas as estações do ano. Apaixonados pelas paixões de verão, pelas ondas bravias, pelas árvores à frente da minha casa, pelos pães com chouriço e pelo Bar da Ilha. E, agora, de regresso, apaixonamo-nos por um passado que ficou lá atrás, na melancolia dos anos que pareciam tão distantes e agora já passaram. E continuamos, os putos e as miudas, a rir da infantilidade com o saudosismo tão português, envergonhados pelas nossas inconsequências mas com o coração apertado pela distância que se sentou comodamente entre o agora e o tempo em que "éramos jovens e apaixonados".

sábado, 7 de julho de 2012

Tenho um fraquinho...









... por casamentos.

Quem me conhece sabe que eu adoro Pamela Love. E depois de umas semanas a deslumbrar-me com as fotos do casamento, achei por bem fazer delas minhas e colocá-las aqui no meu cantinho.
Não sei se é por ser ela, se é pelas coroas de flores - que sempre cairam nas minhas graças - ou pela perfeição da simplicidade, da relva, da madeira, da luz, do regresso à base ou mesmo apenas pela felicidade genuina e palpável, se estas imagens fossem de papel já estariam gastas pelos meus olhos.

É, tenho mesmo um fraquinho por casamentos. Pela promessa de que os pesadelos serão aligeirados por um abraço e as gargalhadas não serão mais solitárias, de um ombro que cessa as lágrimas ou um olhar que compreende tanto quanto a alma. E pelo vestido, também gosto do vestido.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Lisboa também acorda.











Lisboa hoje acordou de mau humor. Levantou-se, obrigada pela rotina de todos os dias, pelas centenas de anos que já lhe pesam nas costas.
Levantou-se para ver que o sol não despertou e julho a esperava com um casaco na mão. Levantou-se para acordar os indianos que abrem as bancas e os turistas que arrasam a calçada com as rodas das malas, e o céu com os gatilhos das máquinas. Levantou-se para acordar o vendedor de supercola 3 da Praça da Figueira, para encher de compras os sacos demasiado pesados para as velhotas, para aumentar o volume dos nossos pensamentos, que nos alheiam às milhares de vidas que se cruzam connosco, enquanto estamos sentados num banco do Rossio às 8horas da manhã. Lisboa acordou de mau humor. Ou então fui só eu.