domingo, 24 de junho de 2012

Dias contados

E não penses que o dia me passou em vão. Aliás, como não passou nenhum dos 915 que se contam desde o primeiro.
É que sabes que não sou boa com matemática, mas os números relativizam o que só deve ser exaltado e sexta-feira não foi maior que quaisquer outras 24horas dos últimos dois anos e meio. Quanto muito, foi mais pequeno que ontem e hoje.
E não me leves a mal a falta de trocadilhos e floreados, mas sabes que faço da pseudo-eloquência literária o pão nosso de cada dia e começo a pensar que dizer 5 palavras quando poderia dizer só uma apenas me complica o discurso. E nós, no meio de tanta complicação, somos tão fáceis, que não devemos entrar em turbilhões de segundos significados quando, no fim do dia (e no início, e no meio, e em qualquer momento) só quero é dizer que te amo.

domingo, 17 de junho de 2012

Dica de nutrição #3





Nachos mergulhados em chilli; caril; bruschettas de tomate e alho francês. E Corona, claro. Os dias de jogo sabem a fritos decadentes e petiscos prolongados; sabem a vitória e ao mundo inteiro. Sabem a quartos de final (só não houve sumo de laranja - essa, espremeram-na eles).

(dou por mim a falar mais de bola que de Moda: isto é grave.)

Coruche















Não me consigo decidir se lhe chamo intocada pelos anos, ou se esta reticência em aceitar a evolução é apenas uma forma de a ligar às memórias de infância.
É que Coruche continua deitada à beira do Sorraia, continua preguiçosamente guardada pelas sete pontes, continua com o bacalhau à Farnel, continua com o doce da casa, continua com o jardim, continua com o Coreto onde me sentava para tirar fotos, com os sapatinhos de verniz, as duas trancinhas e o vestido rosa das bolinhas brancas. Coruche continua intocada pelas minhas memórias mas, ao longe, ouvem-se as batidas electrónicas de um bar à beira-rio, os restaurantes alargam-se em esplanadas com música ao vivo que primam por interpretações (ainda mais) pobres do "Ai se eu te pego" - sim, há pior que o original; as jovens já se passeiam com Jeffrey Campbell e as donas de casa já lêem a Pipoca e a Mini-saia.
Mas ao lado da miuda com as odiosas e matrafonas botas da moda - or so they think so - desfila um jovem forcado, orgulhoso da promoção máxima. E as donas de casa continuam a esquecer a individualidade, a ignorar os talentos e a dedicar-se a servir um prato quente ao marido que chega a casa; e os trabalhadores continuam a ser contratados, não conhecendo o conceito de recibos verdes; e os dias parecem ter mais horas que na capital; e as estrelas continuam a brilhar mais no céu imaculado que não rivaliza com os incómodos faróis da civilização.

domingo, 3 de junho de 2012

Andar de bicicleta


Quando se faz o que se ama - aquilo que preenche e realiza - vão-se descobrindo outras necessidades por colmatar, por satisfazer, por acalmar; outras inquietações que precisam de um Xanax para não se tornarem barulhentas.
A minha, é escrever sobre cidades.
(O problema é que não saio do mesmo sitio, senão isto seria um blog sobre viagens, e não sobre queixumes, sapatos e dicas muito pouco úteis sobre nutrição).
É que eu apaixono-me por cidades. E é tão fácil perder-me de amores por elas quanto aprender a andar de bicicleta - e não, não escrevo isto com conhecimento de causa, mas isso fica para outra história. Gosto dos solavancos do início, do medo, da insegurança. Até gosto das quedas ocasionais, de esfolar os joelhos e ficar com as mãos a arder, de fazer festinhas no asfalto. E gosto de começar a planar. De conhecer os buracos e contorná-los, de conhecer os planaltos e abraçá-los. De saltar nas lombas e descer as avenidas, de sentir o vento e ver a paisagem à velocidade da luz. É por isso que poderia escrever sem fim sobre os telhados de Paris, a energia pulsante de Barcelona, a tristeza de Luanda, da incongruência do Mussulo e da decadência gostosa de Lisboa.

Talvez o faça.